Jonathan Kuminga assinou com o Timberwolves por duas temporadas e US$ 13 milhões, e o Lakers termina a offseason sem o ala que perseguiu desde julho. Antes disso, Lakers e jogador já tinham acertado US$ 15 a 16 milhões por ano, mas a regra da troca assinada exigia três temporadas, e ele não quis.

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Resumo rápido
US$ 13 mi
O contrato de duas temporadas que ele fechou com o Timberwolves, informado por Shams Charania.
US$ 15 a 16 mi
O salário anual em que Lakers e jogador já tinham se entendido.
3 temporadas
O prazo mínimo que a troca assinada exigia, único caminho até Los Angeles.
US$ 24,3 mi
A opção que o Hawks declinou em junho e que abriu esta novela.
12,2 pts
A média dele em 2025-26, somando as passagens por Golden State e Atlanta.

O que ele recusou e o que ele assinou

A conta é curta e não é confortável de ler. Em junho, o Hawks declinou a opção de US$ 24,3 milhões e mandou Kuminga para a agência livre irrestrita. Ele foi ao mercado atrás de contrato longo na faixa de US$ 20 milhões a US$ 25 milhões por temporada. Não apareceu. Aceitou baixar para US$ 15 milhões a US$ 16 milhões, desde que o compromisso durasse uma temporada só. Também não apareceu. Terminou assinando dois anos por US$ 13 milhões no total, algo perto de US$ 6,5 milhões por temporada.

Salário por temporada, em milhões de dólares

Quando Cenário Prazo Por temporada
jun 2026 Opção do Hawks 1 temporada US$ 24,3 mi
jul 2026 O que ele pediu em contrato longo Sem prazo fechado US$ 20 a 25 mi
ago 2026 O acerto com o Lakers 3 temporadas US$ 15 a 16 mi
26 ago O que assinou no Timberwolves 2 temporadas US$ 6,5 mi
Ele terminou em pouco mais de um quarto do valor anual que estava na mesa em junho.US$ 6,5 mi por temporada é a faixa da exceção de nível médio, o instrumento que qualquer time acima do teto usa para contratar reserva.

Vale ler a última linha com atenção. Ele queria prazo curto, e conseguiu: dois anos em vez de três. Só que pagou por isso com dois terços do salário. O contrato tem duas temporadas e os detalhes de opção não foram divulgados.

A regra que não deixava o Lakers dar o que ele queria

O impasse nunca foi de valor. Foi de formato. Como o Lakers não tem espaço no teto para absorver um agente livre desse porte, o único caminho até Los Angeles era a troca assinada, desenho em que o time detentor dos direitos, no caso o Hawks, assina o contrato e envia o jogador na sequência. O acordo coletivo cobra um preço por essa manobra: contrato feito assim precisa durar de três a quatro temporadas.

Kuminga aceitava salário menor apenas em compromisso curto, para voltar ao mercado cedo e reconstruir o próprio valor. As duas coisas não cabiam no mesmo instrumento. Como resumiu o analista de teto salarial Keith Smith, se ele fosse aceitar menos dinheiro do que queria, só faria isso por um ano, e a troca assinada obrigaria a três.

Minnesota não tinha esse problema porque não precisava de troca nenhuma. Contratou direto, como qualquer agente livre, e aí o prazo é livre. O preço da liberdade foi o tamanho da exceção que o time tinha em mãos. Foi essa a escolha que ele fez: sair antes, ganhando menos.

Ele dizia preferir Los Angeles

Essa é a parte que fica atravessada. Horas antes do desfecho, Kurt Helin, do NBC Sports, e Jake Fischer, do Bleacher Report, relatavam a mesma coisa: o jogador preferia o Lakers. O motivo era posição, não dinheiro. Los Angeles oferecia a vaga de titular na 4, função que ele nunca teve garantida no Warriors e que, aos 23 anos, vale mais para a carreira do que qualquer decimal de contrato.

A preferência não sobreviveu ao formato. Quando a disputa ficou restrita a dois times, o Timberwolves passou a oferecer a mesma titularidade, no mesmo lugar da quadra, com a diferença de conseguir entregá-la em contrato curto. Minnesota abriu essa vaga ao se desfazer de Julius Randle e de Naz Reid para trazer LaMelo Ball. O buraco no garrafão que Los Angeles prometia preencher com ele existia igual do outro lado.

Cinquenta dias de novela em oito marcos

Linha do tempo · Kuminga
Da opção declinada à assinatura
Oito marcos entre junho e agosto de 2026, na ordem em que foram apurados.
jun
2026
O Hawks declina a opção de US$ 24,3 milhões e Kuminga vira agente livre irrestrito.
28 jul
2026
O mercado não paga o que ele pede e o jogador perde alavancagem na negociação.
10 ago
2026
O impasse deixa de ser o salário dele e passa a ser o preço que Atlanta cobra.
17 ago
2026
O Hawks pede Jarred Vanderbilt mais capital de draft para liberar o jogador.
20 ago
2026
O Cavaliers troca por Peyton Watson e sai da disputa. O Lakers negocia sozinho.
24 ago
2026
O Timberwolves entra na conversa e restam dois finalistas.
26 ago
2026
De manhã, a regra de três temporadas trava o acerto entre Lakers e jogador.
26 ago
2026
À noite, ele assina com o Timberwolves por duas temporadas e US$ 13 milhões.

Foram cinquenta dias em que o resto da liga esperou por ele. Depois da leva de assinaturas do começo da agência livre, o mercado de alas travou à espera dessa decisão. Primeiro se atribuiu a demora a LeBron James, que ainda não tinha resolvido o próprio futuro. LeBron acertou com o Philadelphia, e Kuminga continuou parado.

O que sobra para o Lakers na posição 4

A vaga que Los Angeles reservava para ele continua aberta. É o buraco mais visível do elenco atual, montado para acompanhar Luka Doncic e Austin Reaves no primeiro ano da franquia sem LeBron. A diretoria passou a offseason inteira apostando numa peça só, e agora chega a setembro com o mesmo problema de julho e com menos mercado para resolver.

Do outro lado, o time que ficou com ele leva um jogador de 12,5 pontos, 4,2 rebotes e 1,8 assistência de média na carreira, com 50,2% de aproveitamento de quadra e 33,2% nos arremessos de três. Em 2025-26 ele fez 12,2 pontos por jogo dividindo a temporada entre Golden State e Atlanta, e foi um pouco mais eficiente depois da troca. É um bom jogador por US$ 6,5 milhões e não é um titular óbvio por US$ 16 milhões, o que talvez explique por que o mercado inteiro travou em vez de disputar.

O que nós projetamos em julho valia: a demora ia custar caro a alguém. Custou ao jogador, que aceitou um terço do que buscava, e custou ao Lakers, que gastou a offseason inteira numa negociação que a regra nunca deixou fechar. Em 2028, quando este contrato acabar, Kuminga terá 26 anos e uma terceira chance de acertar o cálculo.