A negociação por Jonathan Kuminga parou por um motivo que dinheiro nenhum resolve. Lakers e jogador já concordam no valor anual, mas ele só aceita isso em contrato de um ano, e a regra da liga proíbe contrato de um ano em troca desse tipo. No começo do mês o obstáculo era outro.
Siga o Lakers Brasil no Instagram
O que ele quer e a regra que não deixa
Kuminga tem duas propostas na cabeça, e elas são excludentes. Se for assinar contrato longo, quer entre US$ 20 milhões e US$ 25 milhões por temporada. Se for aceitar menos, entre US$ 15 milhões e US$ 16 milhões, quer que valha por uma temporada só, para reconstruir o valor de mercado e voltar a negociar em 2027, aos 24 anos.
O Lakers oferece exatamente a segunda faixa. O problema é o prazo, e ele não é uma escolha das partes.
Kuminga não pode assinar direto com Los Angeles porque a franquia não tem espaço no teto para absorvê-lo. O único caminho é a troca assinada, quando o time que detém os direitos dele, o Hawks, assina o contrato e imediatamente o envia para o outro time. E o acordo coletivo é explícito nesse desenho: contrato feito assim tem que durar de três a quatro temporadas, com a primeira integralmente garantida e as demais podendo ficar sem garantia.
“Se ele vai aceitar menos dinheiro do que quer, então só quer fazer isso por um ano. Ele não quer um contrato de três anos, e para fazer uma troca assinada ele teria que ter um contrato de três anos.”
Keith Smith, analista de teto salarial
Não é impasse de negociação, é incompatibilidade de formato. As duas coisas que ele aceita, salário menor e prazo curto, não cabem juntas no único instrumento disponível.
O Hawks saiu da frente
Essa é a parte que mudou desde a nossa apuração anterior. Até o meio do mês, o que emperrava era o preço que Atlanta cobrava para liberar o jogador, e o Lakers resistia a entregar Jarred Vanderbilt mais capital de draft. Ontem a diretoria trocou Vanderbilt por Jaden Hardy na oferta.
Agora o Hawks aceita a estrutura de três temporadas. Quem não aceita é o jogador. O obstáculo trocou de lado no meio da novela, e é por isso que o desfecho ficou mais difícil, não mais fácil: preço se negocia, regra de acordo coletivo não.
Os números que os dois lados colocaram na mesa
Salário anual em milhões de dólares, por cenário
| Cenário | Prazo | Por temporada |
|---|---|---|
| O que ele pede em contrato longo | 3 anos | 20 a 25 |
| A opção que o Hawks declinou | 1 ano | 24,3 |
| O que ele aceita por uma temporada | 1 ano | 15 a 16 |
| O que o Lakers oferece | 3 anos | 15 a 16 |
O que o Lakers prometeu a ele
A conversa começou cedo. No dia seguinte ao Hawks declinar a opção, Rob Pelinka e JJ Redick se reuniram com Kuminga por vídeo e apresentaram um papel específico: ala com muitos minutos ao lado de Luka Doncic, numa quadra aberta pelo arremesso dos companheiros, que é o cenário em que o atleta rende melhor.
Faz sentido pelo desenho do elenco atual. Com a saída dos veteranos das alas, a posição 4 está aberta, e é a vaga de titular que Los Angeles pode oferecer e o Timberwolves não.
Como a novela chegou até aqui
O relógio agora conta contra os dois
A regra tem outra parte que costuma passar batido: a troca assinada só pode ser feita antes do primeiro dia da temporada regular. Depois disso, a porta fecha até a próxima janela, e Kuminga passaria a temporada inteira fora de quadra ou aceitando o que aparecer.
Para o Lakers, a conta é diferente e igualmente ruim. O training camp abre em outubro, e cada semana de impasse é uma semana a menos para encaixar um titular novo numa posição que hoje não tem dono.
Analistas americanos já levantaram uma saída que ninguém dos dois lados desenhou em público: Kuminga assinar em outro time pelo mínimo de veterano, algo em torno de US$ 3 milhões por uma temporada, e voltar ao mercado em 2027 sem depender de troca assinada nenhuma. Seria a aposta em si mesmo que ele diz querer fazer, custando cerca de US$ 12 milhões a menos neste ano.