O Oklahoma City Thunder fechou em 4 a 0 a semifinal da Conferência Oeste contra o Lakers nesta semana, e Shai Gilgeous-Alexander, o atual MVP da NBA, aproveitou o momento para tirar sarro com a nossa torcida. Em entrevista a Tim Keown, da ESPN, o canadense respondeu com ironia às reclamações constantes da torcida do Lakers sobre o seu hábito de buscar lances livres, e fez questão de devolver o argumento à arquibancada usando as estatísticas como contraponto.
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A provocação do MVP
Apelidado por parte da imprensa especializada de “free-throw merchant” pela frequência com que vai à linha de lances livres, Shai não fugiu do tema. Sobre ser visto como vilão pela torcida do Lakers, foi direto.
“É divertido pra mim”, disse o canadense a Tim Keown, da ESPN, ao falar sobre os torcedores adversários enxergarem nele um vilão. “Do jeito que eu vejo, os torcedores, as pessoas que assistem aos jogos e torcem contra a gente, querem que o time delas vença. Você nunca vai escutar um torcedor do Oklahoma City Thunder reclamar dos meus lances livres. Você nunca vai escutar um torcedor do Lakers reclamar dos lances livres de LeBron ou de Luka.”
E acrescentou em seguida, em uma frase que viralizou nas redes: “Eu entendo o lado de vocês. Eu também me odiaria.”
O que dizem os números
O recado do canadense ganha um peso ainda maior quando se olha para os dados da temporada regular. Doncic liderou a NBA em tentativas de lance livre por jogo, com média de 10,1. O Lakers, como equipe, foi o segundo time da liga em tentativas, com 26,8 por jogo. Shai ficou em quarto lugar entre os jogadores no quesito individual, com 9,0 tentativas por jogo, 1,1 a menos do que Doncic. O Thunder, como time, terminou apenas em 17º na liga no quesito, com 23,2 tentativas por jogo.
O contexto histórico amplia a discussão. O Lakers terminou entre os três primeiros da liga em tentativas de lance livre em cada uma das últimas quatro temporadas, e foi o líder da NBA na campanha de 2022-23. O Thunder nunca chegou ao top 10 da estatística na era Shai. Na temporada passada, quando o canadense conquistou o primeiro troféu de MVP, o time terminou em 26º.
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A leitura é clara. Se o ataque pela linha de lances livres é uma característica criticada, ela vale para ambos os lados, e mais ainda para o Lakers como conjunto. Foi essa a aresta que Shai escolheu para devolver à torcida.
E agora, Lakers?
A provocação do MVP cai sobre uma franquia que entra na offseason com cenário desafiador. As esperanças de pendurar a 18ª faixa de campeão da NBA no ginásio enfrentam dois obstáculos pesados: o próprio Thunder de Shai Gilgeous-Alexander e o San Antonio Spurs de Victor Wembanyama. São duas equipes construídas para dominar a Conferência Oeste pelos próximos cinco anos, no mínimo. O Lakers tem Doncic, tem LeBron, mas a janela com a dupla precisa de mais peças.
Muitos analistas defendem que o caminho real do Lakers passa por agregar a Doncic uma segunda estrela de elite, com o nome de Giannis Antetokounmpo do Milwaukee Bucks aparecendo com frequência nas pautas. Fazer isso, no entanto, é mais fácil de dizer do que de executar. O Lakers tem poucos ativos jovens atrativos e pouco capital de draft para entregar em uma negociação desse porte.
A leitura financeira da offseason
Em análise publicada na ESPN, o especialista em mercado Bobby Marks detalhou o cenário salarial.
“A flexibilidade financeira do Lakers depende exclusivamente dos próprios agentes livres da franquia”, escreveu Marks. “Em um cenário em que todo agente livre do elenco, com exceção de Reaves, seja abdicado, e essa lista inclui o James, o Lakers pode chegar a ter até US$ 47 milhões de espaço salarial. Se Reaves não for mantido, esse número sobe para US$ 67 milhões. Reaves, Deandre Ayton e Smart têm até 29 de junho para confirmar a opção pelos próprios contratos para a próxima temporada.”
Marks ainda destacou o que o time terá disponível em exceções salariais. “O Lakers terá a exceção de meio nível para times sob o teto, de US$ 9,4 milhões, caso opere como time abaixo do teto salarial. Se o Lakers operar como time acima do teto, mantendo só os próprios agentes livres, a exceção de meio nível disponível será a de US$ 15 milhões, fora do nível de pagamento de luxo.”
O dia seguinte
A fala de Shai talvez mereça menos atenção pelo lado provocação e mais pelo lado constatação. O Lakers viveu uma temporada de luta, sobreviveu a lesões, terminou em quarto na Conferência Oeste, eliminou o Rockets na primeira rodada e caiu para o atual campeão da NBA na semifinal. O recado do MVP funciona como espelho de uma realidade incômoda: o time que zomba do estilo do adversário também depende muito desse estilo, em volume ainda maior.
Para a torcida, sobra o trabalho de torcer pelo verão americano que vem. A diretoria precisa fazer escolhas pesadas. A continuidade de LeBron, a renovação de Reaves, o futuro de Smart, o destino da 25ª escolha do draft, eventuais movimentos por nomes de elite. A torcida adversária pode continuar provocando. O Lakers precisa apenas voltar com respostas dentro de quadra.